Artigo

Brasil: mais possível do que nunca

Otávio Costa Miranda
Empreendedor de Tecnologia
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Otávio Costa Miranda
Empreendedor de Tecnologia

Uma década se passou desde os primeiros sinais de que grandes mudanças ocorreriam nos anos por vir. Desde então, a estrutura pouco mudou. Já a semântica, da cabeça aos pés. Vivemos um momento histórico de novos protagonistas, novos sonhos e novas ambições. Menos pelos seus grandes feitos, mais por suas ideias pouco testadas e inusitadas. Vivemos um período de ressignificação de ritos e instituições. Uma década de, acima de tudo, disputas. Por ora, não de grandes conclusões e transformações.

“Disputa”, talvez, seja a palavra mais apropriada para definir o momento que vivemos. Vinda de todos os lados, sem juízo de crença ou valor. Afinal, seguimos simultaneamente polarizados e pulverizados em tudo. Em relação a uma crença pessoal, a uma percepção de país ou a sonhos para o futuro, não há consenso nem quando se concorda. Até mesmo entre os polos, os dissensos também são regra. E, pela primeira vez na interseção das gerações que hoje habitam o País, surge um fato novo: não temos ideia de quem somos e para onde vamos enquanto nação.

A morte de heróis geracionais é natural à emergência de um novo discurso dominante. A morte de todos os heróis é que é um bicho novo. Não restaram ícones consensuais. “Brasil, ame-o ou odeie-o”. E, ainda assim, impera a pasmaceira em noticiários, redes sociais, conversas de metrô ou botequins. No senso comum, vence a ideia de que nos perdemos. Para os radicais de um lado, a ideia de que nunca deveríamos ter nos encontrado. Para os radicais do outro, de que nosso reencontro só é possível se passando pelo expurgo ao discordante. E em meio a tudo isso, paramos de acreditar no que sempre nos levou adiante: sonhos. Temos razões de sobra para acreditar no Brasil. Se a última década foi marcada por mais disputas do que mudanças, minha fé na década que se inaugura ser de progresso é inabalável.

Hoje, o País já sente na pele o impacto de grandes transformações que começam a amadurecer. Existem mais empregados por aplicativos do que pela indústria. Você já pode comprar um carro pela internet a um preço mais baixo do que na concessionária. Já faz anos que milhares de pessoas não pisam numa agência bancária. Em qualquer classe social, qualquer um está a poucos toques na tela de se tornar um investidor da Bolsa. Já não são mais precisos fiadores para alugar um imóvel, que você escolhe e fecha negócio em poucos minutos. Já tinha visto isso antes por aqui, a terra da fila e da burocracia? Eu não.

A maior dor do brasileiro é se sentir lesado. Ao fazer uma compra ou contratar um serviço, já sabemos de cor todos os caminhos para reclamar nossos direitos. Já nos habituamos a pensar em dias úteis. Nosso padrão é baixo. Aceitamos consumir produtos ruins, sejam físicos, sejam digitais. Mas os dez anos por vir ousam transformar esta dor na maior reviravolta que já demos até aqui.

Monopólios estão sendo desafiados. Pequenas empresas ganhando escala e projeção. Vivemos para ver a construção de novos empreendimentos justificando o faturamento milionário em serviços simples e transparentes, prestados de maneira universal. Cada vez mais brasileiras e brasileiros têm assumido os riscos de mudar uma entre as milhares de realidades que nos rodeiam. Da saúde à logística, da educação à segurança, vivemos uma nova realidade do que é ser servido.

Haverá resistências, mas não mais pela disputa sobre quem somos. Disputaremos, agora, o que queremos ser. Grandes coisas ainda são possíveis no Brasil. Grande é o futuro que estamos construindo aos nossos.

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