O Edelman Trust Barometer 2026, pesquisa que analisa a confiança das pessoas nas instituições, traz uma informação sugestiva sobre o Brasil. Embora o País siga marcado por desigualdades profundas, a distância de confiança entre os grupos de alta e de baixa rendas é menor do que a média global e também menor do que a observada em países como Alemanha, Reino Unido e Japão. No Brasil, o Trust Index vai de 62 entre os mais ricos a 53 entre os mais pobres, diferença de 9 pontos. Na média global, a distância é de 15 pontos; na Alemanha, de 18; no Reino Unido, de 19; no Japão, de 13.
O dado não elimina o problema da desigualdade brasileira, nem autoriza leituras triunfalistas. Mas ele impede um diagnóstico simplista. A desigualdade social extrema não se converte, no plano da confiança, em fratura na mesma intensidade que em sociedades menos desiguais. Isso basta para sugerir uma hipótese importante: o Brasil merece ser estudado como um laboratório particular das mediações que tornam possível sustentar vínculos de confiança em contextos adversos.
É nesse ponto que a reputação ganha centralidade. Em ambientes atravessados por assimetrias, distâncias sociais e expectativas conflitantes, a reputação funciona como mecanismo de redução de incerteza, estabilização de expectativas e produção de legitimidade. Quanto mais complexo o ambiente, maior tende a ser o valor de ativos capazes de tornar relações mais previsíveis, compromissos mais críveis e interações menos custosas.
Nesse contexto, reputação não deve ser confundida com simples visibilidade ou autopromoção. Ela é o resultado acumulado de coerência entre discurso, prática, entrega e capacidade de resposta. É o que permite a uma organização ser percebida como confiável por públicos distintos — empregados, investidores, clientes, parceiros, comunidades e sociedade. Seu valor é econômico, porque reduz atritos e custos de transação; mas é também público, porque amplia a disposição para reconhecer legitimidade.
No caso brasileiro, essa questão assume um peso particular. Se aqui a confiança consegue atravessar a desigualdade de forma menos cindida do que em outros países, não significa que o problema esteja resolvido. Significa, antes, que existe um patrimônio relacional, que pode ser fortalecido ou desperdiçado. E é justamente nesse intervalo que a reputação se torna decisiva — ela ajuda a sustentar, ampliar e institucionalizar formas de confiança que, de outro modo, permaneceriam frágeis, difusas ou episódicas.
É também por essa razão que comunicação importa. Não como mera difusão de mensagens, mas como mediação entre organizações e a sociedade. Comunicar bem é produzir inteligibilidade, demonstrar coerência e construir reconhecimento em meio à complexidade. Quando se faz dessa forma, a comunicação deixa de ser ornamento e passa a operar como infraestrutura de confiança.
É por isso que a reputação se tornou um debate central a ser examinado no campo profissional da comunicação corporativa, e foi eleita como o tema do ano da Aberje. Discutir seu valor, no Brasil, é discutir mais uma questão concreta do que um ativo abstrato. É pensar como transformar confiança em vínculos duráveis, legitimidade pública e cooperação social.
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