Em 2026, a economia mundial deve avançar em ritmo moderado. As economias desenvolvidas — como Estados Unidos, Alemanha e Japão — tendem a crescer abaixo de 2%, enquanto países emergentes, como Índia e Indonésia, devem exibir resultados mais sólidos.
A China, pressionada por desequilíbrios no setor imobiliário, envelhecimento populacional e menor dinamismo exportador, pode expandir cerca de 4%. Já a Índia deve continuar surpreendendo, com alta acima de 6%, consolidando-se como uma das economias mais dinâmicas do planeta.
Na América Latina, o crescimento médio deve se situar em torno de 2,4%, com o Brasil próximo de 2%, ainda limitado por entraves estruturais e desafios fiscais que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), podem comprometer a trajetória futura da região nas ausências de reformas e mais integração internacional.
Nos Estados Unidos, a continuidade de Donald Trump na presidência empurra o país para uma postura mais fechada e imprevisível. A visão de que alianças internacionais só fazem sentido se trouxerem vantagens imediatas tem deixado a Europa em alerta.
Por exemplo, Alemanha e França estão ampliando gastos militares para se protegerem de uma Rússia mais agressiva e de um aliado norte-americano cada vez menos confiável. O custo dessa escolha é claro: menos recursos para Saúde, Educação e Transição Energética, além de mais tensão social.
Ao mesmo tempo, os estadunidenses devem endurecer a política comercial. Tarifas, ameaças e crescente aversão às regras multilaterais tendem a virar rotina. Com isso, o comércio internacional deve se tornar mais caro, mais complexo e mais politizado.
Empresas terão de redesenhar as cadeias de suprimentos baseando-se em afinidades geopolíticas — e não apenas em eficiência ou custo. Apesar da retórica dura, o Federal Reserve (FED) deve iniciar um ciclo de cortes de juros antes e de forma mais intensa que o Banco Central do Brasil (BCB). Com a inflação do país do Norte sob maior controle e sinais de desaceleração, a autoridade monetária deve buscar reativar a economia.
Já o Brasil, ainda lidando com incertezas fiscais e pressões inflacionárias pontuais, tende a agir com mais cautela, realizando cortes graduais e limitados. Esse diferencial pode atrair capital estrangeiro para o País, desde que o ambiente político e regulatório ofereça segurança e previsibilidade.
Enquanto isso, a China opera em outro compasso. Fiel ao planejamento de longo prazo, colhe frutos de décadas de investimentos em tecnologia, energia limpa e infraestrutura. O país já lidera setores como veículos elétricos, baterias e energia solar, e deve ampliar essa vantagem. Além disso, sua diplomacia econômica ganha força: Pequim oferece aos países em desenvolvimento uma alternativa considerada mais estável e menos ideológica do que a atualmente oferecida por Washington.
O Brasil, por sua vez, ocupa uma posição sensível nesse tabuleiro. De um lado, enfrenta a pressão dos Estados Unidos para se afastar da China em áreas estratégicas. De outro, depende profundamente do mercado chinês, seu maior parceiro comercial, com forte demanda por soja, minério, petróleo e carne. Ademais, empresas chinesas ampliam presença no País, sobretudo na área de Infraestrutura.
Nesse contexto, o caminho brasileiro deve ser o pragmatismo, dialogando com todos sem alinhamento automático. O movimento de friend-shoring — estratégia de cadeia de suprimentos na qual empresas adquirem ou produzem bens em países com valores compartilhados — abre oportunidades concretas. Se o Brasil se apresentar como um parceiro estável, com regras claras e infraestrutura efetiva, pode atrair investimentos relevantes.
Os riscos, porém, são reais. A agenda ambiental pode se tornar foco de atrito. A postura norte-americana de menor compromisso climático pode reacender pressões europeias sobre o Brasil, especialmente no que diz respeito à Amazônia. Isso pode travar acordos comerciais e desgastar a imagem do País. Produzir resultados tangíveis na área Ambiental será fundamental para manter portas abertas.
O ano de 2026 tende a marcar um mundo menos integrado e mais condicionado ao choque de interesses. Para países como o Brasil, o sucesso dependerá da capacidade de interpretar esse cenário em transformação, agir estrategicamente e manter flexibilidade. Não será um percurso simples, mas aqueles que souberem equilibrar demandas globais com prioridades nacionais poderão sair em vantagem.
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