Confiança das grandes empresas recua 11% no Comércio paulistano

29 de outubro de 2026

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A confiança das empresas de maior porte recuou em setembro, segundo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Entre os negócios com mais de 50 empregados, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) passou de 105,8 para 93,9 pontos, uma queda de 11,2% em relação a agosto. 

O movimento chama a atenção porque foge do padrão. Em geral, as empresas maiores demonstram mais confiança do que as pequenas. No entanto, em setembro, a diferença entre os dois grupos caiu de mais de 11 pontos porcentuais (p.p) para menos de 1 p.p., a menor diferença já registrada no ano. Os pequenos negócios recuaram 0,9%, mas de forma bem mais moderada, passando de 94,1 para 93,3 pontos.

A queda das grandes empresas foi mais forte que a das pequenas nos três componentes do índice. Nas condições atuais, o recuo foi de 15,9% (de 78 para 65,6 pontos), contra 3,3% entre as pequenas. Nas expectativas, as grandes caíram 13%, enquanto as pequenas praticamente mantiveram o patamar. No investimento, a queda foi de 5,9%. 

Para a FecomercioSP, esse resultado mostra que mesmo empresas com mais acesso a crédito e capital de giro não estão imunes ao aperto monetário.

No resultado geral, o ICEC recuou 1,1%, de 94,4 para 93,3 pontos, interrompendo dois meses seguidos de alta. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador ficou 0,7% abaixo.

Condições atuais puxam a queda, mas expectativas ficam estáveis

O subíndice que avalia a percepção sobre as condições atuais (ICAEC) teve a queda mais acentuada entre os três componentes do ICEC, recuando 3,6% e passando de 69,1 para 66,6 pontos, após dois meses de estabilidade. Na comparação interanual, a queda também foi de 3,6%, o que consolida o quadro de vendas mais fracas e margens pressionadas.

A piora também aparece na avaliação dos empresários sobre o próprio negócio. A percepção a respeito da condição atual das empresas comerciais caiu 3,6%, passando de 85,2 para 82,2 pontos. Já a avaliação sobre a economia recuou 3,2%, de 55 para 53,2 pontos, interrompendo a leve melhoria registrada em agosto.

Já o subíndice de expectativas (IEEC) ficou praticamente estável, em 117,2 pontos, interrompendo a sequência de três altas mensais consecutivas. O comportamento indica que os empresários seguem otimistas em relação ao futuro, mas cautelosos frente a dúvidas sobre a economia. Na comparação anual, o indicador ainda avança 3%.

Investimento cai pela oitava vez seguida 

O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) voltou a cair, de 96,8 para 96,1 pontos (-0,7%), registrando a oitava queda mensal consecutiva. A persistência do recuo mostra que o alto custo do crédito e o elevado endividamento das empresas seguem como o principal entrave às decisões de investimento. O único componente a melhorar foi a situação atual dos estoques, que subiu 1,3% (de 88,8 para 90 pontos). 

Segundo a FecomercioSP, o varejo entrou em estado de alerta. Juros altos, consumidor endividado, crédito caro e margens pressionadas continuam atingindo as empresas do setor. O plano político tende a reforçar a postura de cautela, já que decisões de investimento de maior fôlego costumam ser adiadas até que o quadro eleitoral se consolide.

Expansão do comércio registra sétima queda consecutiva 

O Índice de Expansão do Comércio (IEC), também produzido pela FecomercioSP, recuou 1,6% em setembro e foi de 100,7 para 99,1 pontos, o menor nível desde maio de 2025. É a sétima queda mensal consecutiva, sequência que iguala à da retração do início da pandemia, entre dezembro de 2019 e julho de 2020. Só a recessão entre 2014 e 2015 apresentou uma série mais longa, de 11 meses. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a retração foi de 1,9%.

Com esse resultado, o IEC volta a operar abaixo da linha dos 100 pontos pela primeira vez desde maio do ano passado. Na leitura conjunta dos dois componentes do índice, isso significa que o pessimismo já supera o otimismo, e que a cautela e o sentimento de preocupação das empresas do Comércio seguem avançando.

O Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF), que vinha sustentando o indicador com relativa força, perdeu fôlego, ao cair 1,4%, passando de 114 para 112,4 pontos. Na comparação anual, porém, segue em alta de 4,5%, reflexo do mercado de trabalho aquecido, da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de reforçar as equipes com o aumento da demanda no segundo semestre.

Já o Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE) recuou 2%, passando de 87,5 para 85,8 pontos, essa é a oitava retração mensal seguida e a mais longa da série histórica, iniciada em 2011. O indicador também soma 22 meses consecutivos abaixo da linha dos 100 pontos e registra a segunda maior sequência nesse patamar, atrás apenas do período entre 2014 e 2021, que foi de 95 meses. Na comparação interanual, a queda chega a 9,2%.

Com o crédito restrito e o custo de financiamento elevado, os empresários seguem inseguros e adiando decisões de investimento em expansão e modernização.

Por isso, a FecomercioSP recomenda que os empresários do Comércio deem prioridade à liquidez e ao capital de giro, adiando investimentos estruturais até que o custo do crédito recue de forma consistente. Antes de recorrer ao crédito bancário tradicional, que segue caro, vale avaliar linhas de fomento, como as de bancos de desenvolvimento. A Entidade também orienta alinhar o volume de compras com o comportamento real das vendas e evitar compromissos financeiros de longo prazo que não considerem cenários alternativos, em meio às incertezas de juros e ao calendário eleitoral.

Produzido mensalmente pela FecomercioSP, o boletim Panorama do Comércio traz os principais indicadores econômicos para o planejamento dos negócios, além de apresentar análises sobre a conjuntura econômica, o perfil de consumo e as principais tendências que impactam a atividade empresarial. Confira aqui. 

Redação PB
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