Portugal é um destino natural das exportações brasileiras. É o que explica Fernando Senise, sócio-executivo no escritório de advocacia Brasil Salomão, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
De acordo com ele, o país é uma porta de entrada dos empresários para a Europa, bem como para um mercado novo e consumidor bastante relevante, com muita demanda. Um “ambiente seguro” aos empresariado brasileiro.
“E a internacionalização em língua portuguesa é muito atrativa. Muitos dos empresários, por alguma circunstância, acabaram não sendo fluentes em inglês, francês ou espanhol. E, portanto, Portugal é um destino natural”, completa.
Nesta entrevista, realizada em parceria com o World Trade Center (WTC) Lisboa Business Club, Senise reflete sobre os desafios, as oportunidades e os principais erros dos brasileiros que buscam Portugal como caminho para a internacionalização.
A íntegra da entrevista, em vídeo, conduzida por André Rocha, está disponível no Canal UM BRASIL. E confira abaixo os principais pontos da conversa.
Agilidade. Senise acredita que o Brasil é mais “americanizado” na sua forma de fazer negócios em comparação com o país europeu. O que pode ser um choque para quem muda de nação para empreender. Ele cita, como exemplo, a agilidade que é percebida desde a resposta em e-mails até a forma de conduzir negociações. “Além disso, muitas vezes, o brasileiro toma riscos diante de pouca informação”, adiciona.
Tomada de riscos. O executivo lembra, ainda, da maior propensão do brasileiro para tomar riscos em comparação com os portugueses. “Estamos muito aptos a tomar risco, até por causa do cenário em que vivemos. Enquanto que, no mercado português, quando fazem negócios, eles são mais cautelosos e procuram ter muito mais informação e mais conhecimento daquilo que vão fazer antes de assumir riscos”, explica. “Esses são comparativos importantes para quem pensa em estabelecer um negócio localmente.”
Judiciário. Na visão de Senise, a cultura da judicialização é muito mais comum entre os brasileiros do que em Portugal. Aqui, a prática “virou uma indústria”, explica. “O Brasil tem uma beligerância muito grande em torno das relações de consumo e contratuais. E tudo vai para o Judiciário, que tem uma grande quantidade de ações — muitas delas quase que aventureiras”, explica. “Em Portugal, a prática é diferente. As pessoas, primeiro, negociam, sentam, tentam resolver e muito poucos são os conflitos que são levados ao Judiciário.”
Atenção redobrada. De acordo com o executivo, há uma série de mudanças na legislação portuguesa que merecem atenção especial dos brasileiros que pretendem construir uma nova vida ou novos negócios em terras europeias.
Regularização prévia. “Antes, era possível vir a Portugal e se regularizar no país. Hoje já não é mais possível. A pessoa, antes de tudo, tem de obter o visto no país de origem, seja qual for, e depois se mudar para Portugal. Quem vem sem visto já não consegue se regularizar”, afirma. Para quem já está no país europeu, o caminho para a regularização é voltar ao Brasil para, então, pedir um visto. “Esse é um erro constante e continua acontecendo”, alerta.
Saída fiscal. O segundo erro mais recorrente diz respeito à questão fiscal, explica Senise. “Deixando ou não negócios no Brasil, deixando ou não investimentos no Brasil, a pessoa precisa fazer a saída fiscal do Brasil, porque colocou o seu domicílio em Portugal”, observa.