O desprestígio dos líderes políticos dos países democráticos do mundo mostra um ranking de desesperança na gestão governamental que precisa ser enfrentado globalmente. Infelizmente, não pela Organização das Nações Unidas (ONU), pois sua arquitetura passiva, de estados-membros sem autonomia, não tem força para fazer a Assembleia Geral sobrepor-se ao “dever de proteger” do Conselho de Segurança. Ou as próprias nações acordam para o estado de espírito das suas sociedades ou o Estado será cada vez mais propriedade das burocracias dos poderes que dominam as instituições públicas.
Segundo a Statista, plataforma online alemã especializada em coleta e visualização de dados obtidos por meio de pesquisas e análises, a popularidade de presidentes, ou primeiros-ministros, em 2026, anda, predominantemente, abaixo de 40%, não revelando entusiasmo do povo com seus governos.
Há uma encruzilhada cultural que atinge fortemente o Brasil: um caminho é o das razões política, judicial e educacional; o outro é o das razões geracional, econômica, comercial e industrial. O presente não deveria ser uma cômoda na qual a política, as escolas e os tribunais enfiam e tiram o que querem de suas gavetas. A principal causa dessa sociedade passiva de hoje é ter percebido que o tempo e o mundo das autoridades são um tempo e um mundo próprios, não está baseado nas dificuldades da vida real, bem como seus riscos e impasses. Sem responsabilidade pública, a política é só luta pelo poder. A sensação é de que, com suas vidas confortáveis, badaladas e de pouca transparência, é nulo o nível de sacrifício das autoridades do Estado.
Diante da crise prolongada na relação entre as instituições e seu reflexo negativo no desenvolvimento do País, a política abusa de opiniões e decisões de caráter publicitário que misturam temas diferentes — como os combates à corrupção e à violência, a modernização do Estado e o enquadramento dos Três Poderes em suas funções originais. Excesso de ideias circunstanciais acabam sempre sendo irrealizáveis.
São ações reformistas mais consistentes que podem acostumar o Brasil com ondas de ciclo longo. Ondas que mudem a estrutura vigente dos arranjos legais, sociais, políticos e econômicos que sustentam de forma precária a realidade brasileira. Realidade que sofreu, mundialmente, um rearranjo significativo com a guinada neoliberal globalizante a partir de 1990. A insistente crise atual chegou na década passada e continua dominando o cenário do inconsistente crescimento econômico e improvisadas políticas sociais. Se não for alterado o comportamento das instituições públicas, poderá acabar o élan prático por uma nova ordem na gestão estatal. A inconsistência partidária que impera e a falta de profundidade do debate político de longo prazo precisa mudar. O liberalismo social informado e ativo é a melhor chance de adesão, de qualquer governo no Brasil, ao modelo comercial competitivo, interno e externo, que enriqueceu o mundo como nunca e que, por isso, manteve a paz entre as nações.
A guerra, hoje, em virtude da livre movimentação dos fatores de produção, não é política, mas comercial e tecnológica. O próximo mandato presidencial precisa se dar conta do nosso papel no mundo se quiser melhorar a vida dos brasileiros, ciente de que a democracia, por meio da eleição, é a mais consagrada fórmula para criar-se uma maioria política legítima. O bom governante, para representar todos, precisa se erguer acima da paixão.
O fato de que deva haver algum controle político para qualquer atividade humana não significa que deva ser estatal. O papel do Estado deve sempre ser o de auxiliar, ser regulador sem tutela ou burocracia, estimulando o funcionamento de um governo eficiente, justo e parceiro da criação de uma sociedade empreendedora. Foi a manipulação primitiva dos serviços públicos que criou o capitalismo de amigos e permite a reincidência dos ciclos estatizantes e burocratizadores de sempre.
O desprestígio dos governantes no mundo talvez contenha um alerta: o bom político deve ser normal e previsível. E um grande desafio político para o novo presidente será conseguir a desconstitucionalização da maioria das leis brasileiras e fundar um novo paradigma de clareza, eficiência e simplicidade. Uma sociedade de contratos, não de cartórios.
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