A desinformação deixou de ser um problema isolado e restrito ao universo digital. Atualmente, representa um risco sistêmico, com repercussões diretas na confiança institucional, no ambiente de negócios e na democracia.
Num contexto marcado por desigualdade e instabilidade social, conflitos geoeconômicos e polarização, a integridade da informação tornou-se um ativo estratégico para governos, empresas e para a própria sociedade.
O cenário é preocupante. O Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, aponta a desinformação entre os principais fatores de instabilidade global em curto e longo prazos. No Brasil, os sinais também são claros: pesquisa do Instituto DataSenado mostra que 7 em cada 10 brasileiros já tiveram contato com notícias falsas, enquanto 91% consideram que as fake news sejam um perigo para a sociedade.
Os efeitos desse fenômeno vão muito além do ambiente digital. A circulação massiva de informações falsas compromete decisões públicas e privadas, amplia a desconfiança social, fragiliza instituições e afeta diretamente a reputação das organizações. Num ambiente cada vez mais orientado pela informação, a confiança tornou-se um dos principais ativos de qualquer empresa.
Diante desse cenário, o setor empresarial não pode ocupar uma posição passiva. Empresas são agentes centrais no ecossistema informacional, seja pela capacidade de comunicação que têm, seja pela influência que exercem sobre consumidores, mercados e cadeias produtivas. Ignorar esse papel significa negligenciar riscos que afetam não apenas os negócios, mas também a qualidade da vida em sociedade.
Foi a partir dessa compreensão que nasceu a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação, iniciativa liderada pelo Instituto Ethos em parceria com a Aberje, Abert e Abradee, com o apoio técnico do NetLab UFRJ. A proposta busca mobilizar empresas para uma atuação coordenada, baseada em evidências e alinhada com as melhores práticas de governança e de responsabilidade corporativa.
Mais do que reagir a crises pontuais, a coalizão propõe construir uma agenda estruturada de enfrentamento da desinformação, promovendo produção de conhecimento, desenvolvimento de diretrizes e criação de espaços permanentes de diálogo entre empresas, especialistas e sociedade civil. Vamos detectar os problemas, mapear os caminhos e propor soluções articuladas.
Desafios sistêmicos exigem respostas coletivas. Essa responsabilidade não é só do setor público e das empresas de comunicação e informação; ela precisa ser compartilhada. A construção de um ambiente informacional mais íntegro, transparente e confiável é condição indispensável para os desenvolvimentos econômico e social do País.
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