O debate público sugere um Brasil profundamente polarizado. Mas não é bem assim. Pesquisas indicam que a divisão extrema envolve apenas uma minoria do eleitorado brasileiro. A maioria não se identifica com os polos de direita ou de esquerda, compartilha valores semelhantes e está mais preocupada com questões práticas — como emprego, saúde, segurança — do que com disputas de narrativas ideológicas. É o que mostra a reportagem de capa da nova edição da Revista Problemas Brasileiros (PB#491 — Mar/Abr), que, com base em dados e entrevistas com especialistas, traça o perfil do brasileiro que irá às urnas nas eleições de 2026.
O desenvolvimento econômico — que traz consigo uma melhoria geral da qualidade de vida — é preocupação constante dos brasileiros. Esse é um dos temas da entrevista com a economista-chefe da Galápagos Capital, Tatiana Pinheiro. “Toda economia pode crescer, mas se a produtividade é baixa, há inflação. E para controlar a inflação, sobe-se os juros”, adverte. De acordo com a análise dos dados econômicos, a produtividade patina no Brasil, à exceção do Agronegócio, cita a economista. Ela também lembra que esse indicador é fundamento básico para um crescimento sólido e sustentável, e que falta planejamento de longo prazo para superar a baixa produtividade. A saída? Educação. “Antes, eu afirmava que temos de resolver o fiscal para realmente entrar na página que interessa ao País, que é a reforma da Educação, pensar a produtividade. Hoje, avalio que essas duas coisas estão juntas”, resume.
Segundo o Atlas da Mobilidade Social, do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), a chance de um brasileiro médio enriquecer ao longo da vida é de menos de 2%. E, para alguns, essa possibilidade é ainda mais remota — a chance de um indivíduo nascido na metade da população com menor renda chegar à classe dos 10% mais ricos é de 1,81%. Por outro lado, a possibilidade de esse sujeito permanecer no mesmo estrato é de 66,6%. Os números do Atlas não são muito diferentes daqueles encontrados pela Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) em um estudo robusto publicado em 2018. Na média dos países-membros da entidade, a persistência da renda entre as gerações estava em 40% na época da pesquisa — o que significa que, se uma família possuía uma renda duas vezes maior do que outra em um dado momento, seus filhos e filhas teriam, da mesma forma, uma renda 40% maior do que os filhos e filhas da outra. No Brasil, essa taxa era de 70%, como mostra a reportagem “Elevadores desiguais”.
Março é o mês símbolo da luta das mulheres por direitos e igualdade e uma boa oportunidade para rediscutir os obstáculos que impedem a plena equidade de gênero. Por isso, a reportagem da PB questiona: o que é ser mulher no Brasil em 2026? Seja qual for o ângulo de análise, as mulheres brasileiras saem perdendo em relação aos homens. Nas últimas décadas, houve avanços inegáveis, como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a Lei da Equiparação Salarial e até a expansão da licença-paternidade. Fora do papel, no entanto, seja na vida pessoal, seja na vida profissional, as mulheres são penalizadas apenas por serem mulheres. E 2025 ainda marcou um recorde brutal: 1,47 mil feminicídios, ou quatro mortes por dia. Há, ainda, uma série de barreiras invisíveis que impedem o desenvolvimento pleno das mulheres, como mostra a reportagem, à luz de diversas pesquisas e da voz de especialistas no assunto.
O ano de 1976 foi de transição e instabilidade na China. Em janeiro, morre o primeiro-ministro Chou En-Lai. Em setembro, quem morre é o próprio “grande timoneiro” da Revolução chinesa, Mao Tsé-Tung, deixando o país nas mãos da chamada Gangue dos Quatro. Em outubro, entretanto, os quatro são presos, o que encerra oficialmente a Revolução Cultural e abre o caminho para uma nova era, a do socialismo de mercado. A reportagem “China, 50 anos depois de Mao” mostra as transformações que aconteceram no gigante asiático desde então.