Na rota do mundo

05 de janeiro de 2026

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O Brasil nunca recebeu tantos turistas estrangeiros como em 2025 — foram mais de 7,6 milhões somente até outubro. O País desperta curiosidade no exterior, com uma ajuda especial das celebridades que passam por aqui e enaltecem, nas redes sociais, o modo de ser do brasileiro. Nossa música, nosso cinema, a comida e as paisagens atraem os viajantes, e o jeitinho brasileiro faz com que voltem. Mas ainda há entraves, como a infraestrutura, uma política pouco flexível para vistos e problemas de governança e segurança. A reportagem de capa da nova edição da Revista Problemas Brasileiros (PB#490 — Jan/Fev) investiga: afinal, o Brasil está na moda?

Pelo direito de sonhar

Uma viagem de férias, um novo amor, um novo emprego. A capacidade de sonhar — dormindo ou acordado — não é central apenas na construção de desejos individuais, mas também para o que queremos como sociedade. É o que defende o neurocientista Sidarta Ribeiro, professor no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICeUFRN) e pesquisador no Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), entrevistado da nova edição da PB. “Precisamos reflorestar nossas mentes, que estão desertificadas pela adoração ao dinheiro”, afirma o autor de O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho (Companhia das Letras, 2019). E o que sonhar para o Brasil? Segundo Ribeiro, a escola é a instituição capaz de “equalizar oportunidades” e seu sonho é tão simples quanto difícil de realizar: “Quem tem mais ajuda quem tem menos”.

O peso dos juros para os mais pobres

Mais de um terço dos trabalhadores brasileiros — ou 35,3% — ganha até um salário mínimo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E se a falta de recursos restringe o consumo até de itens básicos, há ainda outro peso, mensurável, que atinge desproporcionalmente quem ganha pouco em relação aos mais ricos: os juros.

A conta foi feita por economistas e está num estudo publicado pelo próprio Banco Central (BC). Tomadores de crédito que ganham de um a dois salários mínimos pagam de 28 a 44 pontos porcentuais (p.p.) a mais em juros do que aqueles que ganham mais de 20 salários mínimos. Os autores da pesquisa também incluíram na equação outras variáveis que não se restringem à renda ou à probabilidade de inadimplência. As mulheres, por exemplo, pagam, em média, 6,8 p.p. a mais de juros do que os homens. E indivíduos com mais conhecimento financeiro, como profissões ligadas a finanças, conseguem juros até 4 p.p. menores. Veja todos os detalhes do estudo e ideias para diminuir essa desigualdade na reportagem Mais pobres, mais juros.

O gasto com transporte é outro peso desproporcional para o bolso dos mais pobres. Agora, a gratuidade volta ao debate público, mas a realidade da restrição orçamentária pede ideias que possam deixar o preço da passagem num meio-termo entre caro e zero. Ao reunir dados e ouvir especialistas no assunto a reportagem analisa: a tarifa zero é possível?

As mãos que giram a economia circular

O Brasil produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano, 382 quilos por habitante. No entanto, apenas 8% dos resíduos secos das cidades brasileiras seguem para a reciclagem, um porcentual ainda baixo — mas há um potencial gigantesco para o meio ambiente e a geração de emprego e renda. Ainda estigmatizados, os catadores de recicláveis carregam boa parte da responsabilidade pela economia circular, enquanto a organização em cooperativas ganha espaço, com mais segurança e dignidade para os trabalhadores.

Resgate de direitos

Há quase 80 anos, no dia 1º de fevereiro de 1946, uma sexta-feira, às 14 horas, foi instalada no Rio de Janeiro, então capital da República, uma Assembleia Nacional Constituinte. Sua missão era elaborar uma Constituição que restaurasse a democracia e as liberdades, então abolidas pela ditadura do Estado Novo (1937–1945). Era a quarta vez que ocorria uma Assembleia Constituinte desde a Independência do Brasil, em 1822, e mais uma quinta ainda aconteceria, em 1988, após o fim da ditadura militar (1964–1985). Conheça essa história.

CONFIRA ESSAS REPORTAGENS, E MUITO MAIS, NA ÍNTEGRA DA EDIÇÃO #490 (JAN/FEV) DA REVISTA PB, DISPONÍVEL AQUI.

REDAÇÃO PB Joélson Buggilla
REDAÇÃO PB Joélson Buggilla