Falar de longevidade é planejar o futuro. E, por isso, o tema interessa muito mais a quem tem 25, 30 ou 40 anos do que aos idosos de hoje. É o que defende Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade MAG e conselheiro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
“A conversa de longevidade não é para velhos. É uma conversa para moços que serão os velhos de amanhã”, afirma. Segundo o especialista, essa nova geração envelhecerá em outro patamar: não na idade em que os pais envelheceram, mas aos 80 ou 90 anos.
Em entrevista promovida pelo Canal UM BRASIL e pela Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Molina alerta para os riscos de adiar o debate sobre longevidade. “É arriscado esperar o problema aparecer para, então, pensar na solução. Porque quando aparecer a solução, já será tarde”, resume.
A íntegra, em vídeo, está disponível no Canal UM BRASIL. E confira abaixo os principais pontos da conversa, conduzida por Juliana Rangel.
Novos tempos. Segundo o especialista, a realidade geracional da sociedade brasileira mudou. Em breve, o Estado não terá mais recursos para sustentar os futuros aposentados, e as famílias, cada vez menores, tampouco. “Quando a família tinha oito filhos, dois provavelmente ‘dariam certo’ e sustentariam os pais. Isso também acabou”, explica.
Para além da Previdência Social. A alternativa para quem não quer depender apenas de uma renda mínima paga pelo Estado, ressalta Molina, é guardar dinheiro durante a vida ativa — uma das decisões mais difíceis e necessárias para os jovens adultos no mercado de trabalho.
Desafio das novas gerações. “O planejamento financeiro significa abrir mão de um consumo de curto prazo, que é mais agradável, e fazer uma poupança para o futuro”, afirma. “Deixar de trocar a televisão, deixar de trocar o carro, deixar de ir a restaurantes, enfim, deixar de consumir um pedaço do que se ganha.”
Efeitos da transição demográfica. “O conceito de aposentadoria, como nós o aprendemos, ou seja, com uma certa idade — a pessoa vai para casa, não trabalha mais e a sociedade produtiva paga suas contas —, acabou. Não existe mais”, afirma. De acordo com Molina, essa ideia era sustentada por um pacto intergeracional, que foi quebrado por causa de três fatores. “Nascem poucas crianças, há muitos velhos e não temos mais a fonte de financiamento”, conclui.
A necessidade de um novo sistema. Para o especialista, uma das consequências desse cenário é que o modelo atual de Previdência Social chegou ao fim. Não se trata mais de reformar, mas de recomeçar. “Não é algo que se resolve na ‘canetada’. Nós precisamos criar um novo sistema de Previdência”, afirma.
Tema espinhoso. Molina explica que esse novo modelo caminhará para uma renda mínima do idoso, mas com um recorte etário diferente do atual. “Idoso não terá 60 anos, mas 70, 75 anos”, pontua. Ele critica, no entanto, o silêncio em torno do tema: poucos economistas escrevem sobre o assunto, e os políticos evitam a discussão. “Esse tipo de notícia ‘deselege’, não elege político”, resume.