Artigo

Abertura comercial como estratégia de desenvolvimento

Rubens Medrano
é vice-presidente da FecomercioSP, do Centro do Comércio do Estado de São Paulo (Cecomercio) e diretor da Confederação Nacional do Comércio(CNC). Também é presidente do Conselho de Relações Internacionais da FecomercioSP, conselheiro titular do Departamento Nacional do Sesc e coordenador da Câmara Brasileira de Comércio Exterior (CBcex) da CNC.
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Rubens Medrano
é vice-presidente da FecomercioSP, do Centro do Comércio do Estado de São Paulo (Cecomercio) e diretor da Confederação Nacional do Comércio(CNC). Também é presidente do Conselho de Relações Internacionais da FecomercioSP, conselheiro titular do Departamento Nacional do Sesc e coordenador da Câmara Brasileira de Comércio Exterior (CBcex) da CNC.

A experiência internacional mostra que a abertura comercial é um dos pilares do crescimento de longo prazo. Economias expostas ao comércio absorvem tecnologia com mais rapidez, aprendem com quem está na fronteira e elevam sua produtividade.  A competição externa pressiona as empresas a inovar e melhorar processos, enquanto o acesso a insumos mais modernos reduz custos e eleva a qualidade do que se produz. Quando as empresas passam a atender mercados maiores, ganham escala e diluem custos fixos. Para países de renda média como o Brasil, isso é decisivo para escapar da armadilha da baixa produtividade.

Casos como Coreia do Sul, México, Vietnã e Bangladesh ilustram esse caminho. A Coreia, que nos anos 1960 era mais pobre que o Brasil, integrou-se agressivamente ao comércio mundial –reduziu tarifas, assinou acordos e orientou sua política industrial para competir lá fora– e hoje tem PIB per capita muito superior ao nosso. O México tornou-se um dos maiores exportadores de manufaturas do mundo depois do Nafta. Vietnã e Bangladesh usaram a abertura como trampolim para atrair investimentos, tecnologia e milhões de empregos industriais. Esses exemplos mostram que a integração comercial é o que separa países que avançam dos que estagnaram.

O Brasil, porém, insiste em manter uma economia fechada. Nossa tarifa média supera o dobro da média da OCDE, e nossa participação nas cadeias globais de valor é inferior à de países muito mais pobres. Isso se reflete em baixa produtividade, pouca inovação e uma indústria com menor densidade tecnológica. A proteção prolongada permitiu que muitas empresas sobrevivessem pela barreira tarifária, e não pela eficiência, penalizando consumidores e limitando o crescimento do país.

A fragmentação geoeconômica atual abre oportunidades para fornecedores confiáveis em áreas estratégicas: energia limpa, minerais críticos, agroindústria avançada e biotecnologia. O Brasil tem vantagens naturais e institucionais para ocupar esse espaço, mas precisa reduzir barreiras, simplificar regras e firmar acordos que ampliem escala e previsibilidade. A abertura também é essencial para inovar: em setores de fronteira, ninguém inova sozinho, e economias fechadas ficam distantes do que há de mais avançado.

O argumento de que a proteção preserva empregos não se sustenta. Países fechados protegem ineficiências, não trabalhadores. A abertura desloca mão de obra para setores mais produtivos, nos quais os salários tendem a ser maiores. Crescer apoiado só no mercado interno é estratégia viável para economias com a escala dos EUA ou da China. Nós não temos essa escala, e fingir que temos é um erro que custa caro.

A abertura comercial não ameaça o desenvolvimento brasileiro; ela é condição para que ele ocorra. Em um mundo fragmentado, quem se fecha perde relevância. O Brasil tem potencial para ser protagonista, mas precisa escolher esse caminho. Permanecer fechado é optar pela estagnação.

Artigo originalmente publicado no portal Poder360.

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