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Sem proteção, não há ASG

Caio Magri
Caio Magri é diretor-presidente do Instituto Ethos.
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Caio Magri
Caio Magri é diretor-presidente do Instituto Ethos.

A agenda Ambiental, Social e de Governança (ASG) consolidou temas como descarbonização, transição energética e bioeconomia no centro das estratégias empresariais. Mas ainda há uma dimensão que recebe menos atenção do que deveria: a proteção das pessoas que defendem os direitos humanos e o meio ambiente nos territórios onde essas transformações acontecem.

Os impactos da crise climática já são uma realidade para a sociedade e também para os negócios. Segundo o relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), eventos climáticos extremos afetaram diretamente mais de 330 mil pessoas e provocaram prejuízos econômicos de R$ 3,9 bilhões. Diante desse cenário, proteger quem atua na defesa dos territórios deixou de ser apenas uma pauta social; tornou-se uma questão ética, jurídica, reputacional e estratégica para as empresas.

Lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, ambientalistas e representantes de comunidades tradicionais desempenham papel fundamental na conservação dos ecossistemas brasileiros. Ao mesmo tempo, estão entre os grupos mais expostos à violência. O Guia para empresas: proteção de defensores de direitos humanos e ambientais, publicado pelo Instituto Ethos, mostra que, entre 2023 e 2024, foram registrados 486 casos de violência contra pessoas e organizações defensoras de direitos, incluindo 55 assassinatos, 96 atentados e 175 ameaças. Os números foram extraídos da pesquisa Na Linha de Frente: Violência contra Defensoras e Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2023–2024), realizada pelas organizações Justiça Global e Terra de Direitos.

Nenhuma empresa atua isoladamente. Suas operações, cadeias de fornecimento e investimentos influenciam diretamente os territórios onde estão inseridas. Por isso, incorporar a proteção de defensores de direitos humanos e ambientais significa fortalecer a própria gestão de riscos e ampliar a capacidade de prevenção de conflitos.

Esse compromisso passa por conhecer os territórios antes da implantação ou expansão de atividades e integrar riscos socioambientais aos processos de governança, compliance e due diligence, além de estabelecer diálogo permanente com comunidades e povos tradicionais, respeitando seus protocolos e formas de organização. Também envolve criar canais de denúncia seguros e confiáveis, capazes de prevenir violações e fortalecer a transparência das relações.

Não se trata de transferir às empresas responsabilidades que são do Estado. Trata-se de reconhecer que organizações privadas são atores relevantes na construção de territórios mais seguros, resilientes e democráticos. A agenda climática não pode ser dissociada da proteção das pessoas que preservam florestas, rios, biomas e comunidades. Integridade, direitos humanos e sustentabilidade não competem entre si; são pilares da mesma estratégia para construir negócios responsáveis e um futuro ambientalmente viável.

ESTE ARTIGO FAZ PARTE DA EDIÇÃO #49​4 (SET/OUT) DA REVISTA PB. CONFIRA A ÍNTEGRA, DISPONÍVEL AQUI.

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