José Goldemberg recebe Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 por trajetória dedicada à ciência e à sustentabilidade

13 de agosto de 2026

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José Goldemberg, um dos principais nomes da ciência brasileira, foi homenageado como Personalidade Acadêmica de 2026 na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Realizada em 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a cerimônia reconheceu mais de sete décadas de contribuição do físico, professor e pesquisador à ciência, à educação, às políticas públicas e à sustentabilidade.

Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a premiação foi criada em 2024 para valorizar obras acadêmicas, científicas e técnicas e ampliar a visibilidade de autores e editoras desses segmentos. A edição de 2026 reuniu 27 categorias, divididas entre os eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

Ao receber a homenagem, Goldemberg revisitou uma trajetória que aproximou pesquisa científica e atuação pública. “Tive a oportunidade incomum de participar das atividades científicas do País como pesquisador e na formulação de políticas educacionais e científicas”, afirmou. Para ele, essa experiência também pode ajudar novas gerações a compreender “a complexa relação entre pesquisa científica desinteressada e o que o governo e a sociedade que a financia esperam dela”.

A presidente da CBL, Sevani Matos, ressaltou que a premiação reconhece a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica brasileira. Segundo ela, as obras premiadas refletem a diversidade de temas e perspectivas que ampliam a produção de conhecimento e deixam contribuições duradouras para a sociedade.

Referência em energia e sustentabilidade

Nascido em Santo Ângelo (RS), em 1928, Goldemberg construiu uma trajetória que o tornou referência internacional em energia e desenvolvimento sustentável. Formado e doutorado em Física pela Universidade de São Paulo (USP), iniciou sua atividade científica na década de 1950 e dedicou os primeiros anos da carreira à Física Nuclear, com períodos de pesquisa nas universidades Stanford e de Paris. Mais tarde, voltou seus estudos para energia, meio ambiente e mudanças climáticas.

Um dos marcos dessa trajetória foi a pesquisa sobre o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar como fonte renovável de energia. Segundo Goldemberg, esses estudos contribuíram para legitimar o programa brasileiro de biocombustíveis — área em que seu trabalho ajudaria a projetar o Brasil internacionalmente como referência em transição energética e desenvolvimento sustentável.

A experiência também o levou à Universidade de Princeton e à colaboração com pesquisadores de outros países. Desse trabalho nasceu, em 1988, Energy for a Sustainable World, livro que se tornou referência na área e contribuiu para ampliar internacionalmente o debate sobre transição energética.

A ciência, porém, não ficou restrita aos laboratórios e às universidades. Goldemberg levou a experiência acadêmica para a gestão pública, exercendo funções como reitor da USP, ministro da Educação e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de participar da formulação de políticas científicas e educacionais.

Em seu discurso, relacionou essa trajetória à defesa da autonomia e da responsabilidade da ciência brasileira e encerrou a homenagem apontando para aquilo que considera essencial às próximas gerações: “o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”.

A homenagem do Jabuti Acadêmico soma-se a uma extensa lista de distinções recebidas por Goldemberg. Dentre elas estão o Blue Planet Prize, concedido no Japão em 2008; o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010; o Prêmio Zayed Energia do Futuro, em 2013; o Prêmio Professor Emérito – Troféu Guerreiro da Educação Ruy Mesquita e o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência, ambos em 2014. Em 2007, a revista Time o incluiu entre os 13 “Heróis do Meio Ambiente”, na categoria Líderes e Visionários.

Para a CBL, a escolha como Personalidade Acadêmica reconhece justamente a combinação entre excelência científica, liderança acadêmica e contribuição para as políticas públicas e a sustentabilidade. Ao longo de mais de sete décadas, Goldemberg reuniu contribuições relevantes nos campos da física, da energia, do meio ambiente e da educação.

Redação PB Fabiano Battaglin
Redação PB Fabiano Battaglin