Principal vendedor e consumidor de produtos online, o Estado de São Paulo tem nos livros e nos smartphones seus principais mercados. Segundo a Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com números de base própria, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ainda do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ambos foram responsáveis por quase 7% das compras online no Estado, somando perto de R$ 7 bilhões.
Foram esses produtos que puxaram um faturamento recorde de 2025, de R$ 92,9 bilhões – uma alta de 15,4% em relação ao ano anterior.
A posição de São Paulo é privilegiada por ser tanto o principal vendedor de itens pela internet quanto, na outra ponta, ter o maior mercado consumidor: em 2025, R$ 6 em cada R$ 10 em vendas realizadas por empresas paulistas (61,5%) tiveram destino em outro Estado. Além disso, 68% do consumo interno foi ofertado por um negócio do próprio Estado.
Esses dados chamam atenção porque, se a pandemia — entre 2020 e 2022 —acelerou a digitalização do varejo (o e-commerce faturou 81% a mais entre 2019 e 2020, enquanto, em São Paulo, essa taxa foi de 87,8%), a procura dos consumidores por compras pela internet prosseguiu nos períodos seguintes, crescendo 10% por ano.
Característica elementar do comércio eletrônico brasileiro é a concentração no Estado de São Paulo. Mais da metade (55,8%) de todas as vendas online no País tem origem em empresas paulistas. Em números absolutos, só esses negócios foram responsáveis por R$ 165 bilhões do faturamento de 2025.
Os dados sugerem dois insights. O primeiro é que há uma concentração grande em estrutura — centros de distribuição, logística etc. — e na disponibilidade de plataformas e negócios em São Paulo. Isso se repete regionalmente, já que Minas Gerais, com 12,9% do faturamento, faz parte do rol de estados campeões nacionais do e-commerce.
O segundo é que São Paulo também se beneficia por estar inserido no principal mercado consumidor do Brasil. Mas, ao contrário da concentração de vendas, o consumo online tem se tornado cada vez mais nacional, com partes relevantes do share de mercado divididas entre Minas (12,8%) e Rio de Janeiro (9,3%), além de Paraná (5,9%) e Bahia (5,3%).
Apesar disso, caiu significativamente o peso do comércio eletrônico paulista na composição do setor a nível nacional. Se, durante a pandemia, 34% das vendas online eram realizadas a partir de São Paulo, esse número caiu para 35% em 2025. Longe de ser uma má notícia, os dados indicam que mercados de outros locais ganharam maturidade o suficiente para entrar na competição.
Segundo a FecomercioSP, os números da radiografia indicam um cenário claro: o comércio eletrônico deve seguir em expansão nos próximos anos. O volume de investimentos, a ampliação de estruturas e a chegada de mais gente a cada ano faz o setor crescer de forma sustentável, deixando qualquer previsão de teto praticamente impossível.
Para o varejo, trata-se de uma oportunidade que deve ser aproveitada, sobretudo com estratégia e planejamento. De um lado, a concentração da oferta ainda em poucos Estados revela uma competição intensa nesses locais — e, nessas regiões, não só a precificação, a logística e a gestão de estoques contam, como também capacidade de se comunicar com os públicos.
De outro, porém, é o fato que os consumidores brasileiros estão comprando cada vez mais pela internet. O IBGE mostrou, por exemplo, que mais da metade (52%) da população brasileira fez alguma compra online no ano passado. Esse número tinha sido de 48% em 2022. Em outras palavras, à medida que esse tipo de comportamento se consolida, mais espaços para vendas e bons negócios se abrem.